Matéria – Omelete Marginal

7 03 2009

Entrevista: Neymara Carvalho – A Melhor do Mundo

Por Fred Entringer
Fotos: Vitor Malheiros

Ela é a melhor do mundo. Está no topo. No hall dos brasileiros campeões do planeta, poucos venceram tantos campeonatos pelo globo como ela. Um time que tem Ayrton Senna, Pelé, Bernardinho, a jogadora Martha, Ronaldinho e mais uma constelação de atletas que desafiam os limites do corpo, da mente e da gravidade. Neymara Carvalho, beirando os 33 anos, com 18 de carreira, embarcou em dezembro de 2008 para as distantes Ilhas Canárias, arquipélago espanhol no oceano Atlântico, com o objetivo único de ser campeã mundial pela quarta vez, feito jamais alcançado por outra bodyboarder. Triunfou.

Mas antes disso, em outubro do mesmo ano, quando o futuro ainda era dúvida, eu e o fotógrafo Vitor Malheiros estivemos na simpática e modesta casa de Neymara – a Ney, como é chamada pelos mais chegados – na Barra do Jucu, balneário clássico hospedado no município de Vila Velha/ES, para a sessão de fotos que você confere aqui, entre parágrafos. Enquanto preparávamos o cenário, arrastando móveis e carregando troféus históricos de um lado para o outro, conhecemos um pouco da intimidade de uma estrela que não precisa de flash para brilhar. Neymara tem luz própria, assim como o sol que doura sua pele cor de ouro. Durante pouco mais de duas horas entre os cômodos margeados pelo Rio Jucu, conhecemos uma figura daquelas raras, que o tempo se encarregou de produzir poucas. Mesmo assim, ela insiste em ser apenas como eu e você. Mas não é.

Até erguer os braços de punho cerrado para o céu das Ilhas Canárias, muita água rolou na trajetória fantástica de Neymara Carvalho. Uma história permeada por fracassos retumbantes e vitórias espetaculares que você conhece agora, através das linhas que seguem. Aloha!

Parece até mentira, mas Neymara nasceu no dia 1-º de abril de 1976, de cesariana, na Maternidade de Vila Velha. O começo de vida já mostrou que nada seria fácil dali pra frente. Com rejeição a qualquer tipo de leite, inclusive o materno, a pequena notável deu muito trabalho aos pais nos meses iniciais de sua estadia por aqui. Foi desde pequenina que aprendeu a ir além dos limites, a se superar, como uma boa ariana. “Sou guerreira, mulher que luta e corre atrás do sonho, sou também  muito teimosa e isso pode ser o meu grande defeito, mas muitas vezes vejo isso como uma grande qualidade, porque sou teimosa pelo o que acredito e vou atrás mesmo“, começa.

Mas foi só aos quatro anos que Neymara mudou-se com a família para a Barra do Jucu, terra que anos mais tarde ficaria conhecida nacional e internacionalmente pelo congo, pelas bandas Casaca e Macucos, além, é claro, pelas ondas e aéreos da tetra-campeã do mundo. O início foi difícil, com os pais tendo que se virar, improvisar, até conseguirem montar um dos restaurantes mais tradicionais da Barra, o Brega’s Bar. “Meu pai tinha se aposentado e resolveu virar pescador, por isso escolheu a Barra para viver. Começaram com um carrinho de caldo de cana e minha mãe fazendo pastéis pra vender“.

Mesmo com lindas praias de playground, o curioso é que, antes do mar, Neymara se apaixonou pelo rio. “Fui criada aqui. O meu melhor momento quando criança era quando chegávamos da escola. Eu e meu irmão (Marney, ícone do surfe local) almoçávamos e tínhamos que esperar a hora para tomar banho de rio. Era a melhor parte do dia. Aprendi a nadar no Rio Jucu e depois é que veio a descoberta do mar.

No início dos anos 90, Marney, irmão mais velho de Neymara, era uma espécie de Eddie Aikau da Barra do Jucu, surfista romântico, veloz, impetuoso, ousado, intrépido. Principalmente, admirado e respeitado. De olhos arregalados, a pequena Neymara observava e obsorvia tudo, como espelho. A parceria e cumplicidade com Marney ia além do sangue. De frente para o mar do “Barrão”, principal e maior praia da Barra do Jucu, a dupla de irmãos tocou durante algum tempo um quiosque sob a sombra de castanheiras clássicas. “É verdade, era como uma brincadeira de criança, mas com responsabilidade. Foi quando nos apaixonamos pelas ondas e revesávamos na direção do quiosque. Ele sempre foi o meu ídolo, tudo o que ele fazia eu ia atrás. Fiz judô, skate… até chegar as ondas“, conta, revelando o princípio de tudo.



Foi por uma obra do acaso
 que Neymara intensificou suas remadas na direção dos dias vindouros. Alimentou o sonho. Numa tarde qualquer, após um almoço desses rotineiros, Ney percebeu, com o olhar desviado por um sopro de vento sul, uma prancha velha, esquecida num canto do restaurante, solitária. De salto, arrebatou aquele bloco de poliestireno, tomou como seu e flutuou. Por uns meses, ficou em êxtase, viveu seu conto de fadas, até a fantasia tomar um tapa de realidade e a prancha virar abóbora. “Eu já estava apaixonada pelo mar e já tomava uns caldos com pranchas emprestadas, foi quando esqueceram essa lá, agarrei como se fosse minha. Foi maravilhoso poder ter uma pranchinha só pra mim, mesmo que só por alguns meses. Quando a dona voltou pra buscar, foi aquela choradeira, eu não queria devolver, fiquei muito triste mesmo, mas entendi que tinha que deixar ela ir embora. No natal seguinte, ganhei minha primeira prancha!

O debut em competições foi aos 15, assim como valsa de princesa. “Eu também queria uma festa, mas não tínhamos condições pra isso“. O tempo correu. Neymara encheu os pulmões de ar fresco, se lançou, mergulhou fundo e esteve antes em ambientes onde poucas mulheres haviam estado. Pioneira, atravessou regiões desconhecidas, desbravou, lançou novas idéias, fez evoluir a ciência, a arte, de deslizar sobre as ondas. Mas enfrentou cruzadas pessoais em defesa do objetivo descoberto de querer ser a número um do mundo. “Sou pioneira nas competições iternacionais, mas antes de mim, a Raquel Brandão já surfava, e muito bem. Ela era a minha referência aqui no Espírito Santo. O Bodyboarding estava vivendo um boom muito grande no Brasil, e não era diferente aqui no Estado. Todas as meninas queriam pegar onda, e comigo não foi diferente, até porque, meu irmão começou a surfar primeiro e, como eu ia na dele, eu queria também. Tínhamos competições amadoras e comecei por elas, por incentivo de duas amigas que fiz dentro d’água, Emanuelle e Viviane Riguetti. A maior dificuldade era de convencer meu pai que era legal e saudável o esporte. Ele era muito contra, tinha muito medo de alguma coisa dar errado. Mas aos poucos, e com a ajuda da minha mãe, consegui mostrar que era o que eu gostava de fazer.”

OM – Seu pai tinha preconceito quando você começou. Chegou até a quebrar uma prancha sua ao meio. O que mudou a partir dessa atitude radical?

Neymara – (Risos) Fiz da prancha cortada ao meio vários chinelos e continuei com o meu sonho vivo! Eu rezava falando com Deus que eu queria ganhar um troféu, que meu pai ia me deixar continuar… tô tendo que ganhar até hoje!!! (risos) Mas hoje ele é muito orgulhoso e sempre diz que se não fosse aquela prancha cortada, eu não teria chegado onde estou (risos), é mole? Mas acho que ajudou viu!!! Hoje, sendo mãe, entendo a preocupação dele. A gente quer o melhor pro filho, mas demoramos a entender que o melhor pra eles pode não ser o que sonhávamos. Também tinha o medo de eu não conseguir ser bem sucedida e ter apostado muito tempo no esporte… eu tinha que vencer! Porque era minha única chance de continuar com o meu sonho, e isso era uma dúvida muito grande pra ele, mas eu digo sempre uma frase bem conhecida: acredite e lute pelos seus sonhos, porque a gente consegue!

OM – Hoje como ele vê sua carreira?

Neymara – Ele é o maior fãnzão! Quando ganhei meus três títulos mundiais ele sempre quis festa! Fica todo orgulhoso, quer que eu vá no supermercado com ele e, quando as pessoas ficam olhando pra mim e reconhecendo, ele logo vai falando: ‘é ela mesma, minha filha! Quer um autógrafo dela?’ Morro de vergonha (risos), mas fico feliz por ele.

OM – E sua mãe neste contexto?

Neymara – Minha mãe é daquelas que não existe igual no mundo inteiro! Mãe de todos. Sempre bate algum amigo lá em casa querendo ela pra acolher, pra poder fazer uma comidinha. Ela sempre esteve comigo em todos os momentos, acreditando e dando força. Lembro bem de um ano quando eu estava sem patrocínio, querendo desistir, e ela me disse pra tentar um pouco mais, até porque eu já tinha apostado, investido, quase 10 anos na carreira. Ela disse: ‘agora já é tarde, você já é uma campeã brasileira, estadual… vai atrás do mundial!’ Ela me deu força pra continuar com o sonho de ser campeã mundial e, em todos os títulos, ela teve suprema importância por causa desse conselho, lá no meio da carreira.

Lutando contra a desconfiança por caminhos tortuosos, buscando a auto-afirmação e construindo as próprias oportunidades, Neymara chegou até a competir algumas vezes na categoria masculina, desafiando a tudo e a todos. Provocando. “Quando me profissionalizei não existia a categoria profissional feminino aqui no Estado, somente no Rio de Janeiro. Foi então que conversei com o presidente da Federação na época e ele permitiu, até pra me incentivar e me fazer treinar mais, porque os meninos são muito mais fortes. Eu acho o meu estilo um pouco mais agressivo por ter tido essa fase com eles. Cheguei até a liderar o estadual, mas perdi nas decisões finais, foi uma experiência válida na minha carreira, pena que hoje não pode mais… era um ótimo treino.

Hoje dona de uma galeria de títulos de todos os cantos do planeta, Neymara aprendeu, em caldos de ondas fortes, que é preciso perder. Dopar a paciência. Quando decolou do Brasil pela primeira vez, aterrissou no templo mundial do surfe, as águas sagradas do Hawaii, com suas paisagens e histórias lendárias. “Sonho de dez entre dez bodyboarders no mundo“, completa. Numa das mãos, mala. Na outra, prancha. E nas costas, a cobrança pessoal de vencer. “Fui aos 17 anos com minha amiga Karla Costa (Campeã mundial de 1999). Chegando lá, fui vetada de competir por ser menor de idade. Isso me deixou muito frustada, até porque, antes de me vetarem, várias brasileiras competiram nos anos anteriores sendo menores, mas enfim… acho que eles não queriam era mais uma brasileira na competição. Mesmo assim foi uma experiência incrível“. Obstinada e perseverante, aguardou. “No ano seguinte fui, competi e fiquei em 2º lugar em Pipeline. Foi incrível a experiência, eu sonhava com isso… e ver tudo se concretizando… eu não acreditava, ficava horas olhando admirada para o troféu, a coroa de flores“, diz, enquanto a memória pinça momentos que maresia nenhuma enferruja.

Tirar lições profundas da decepção e do malogro, fizeram de Neymara uma campeã. “Nem sempre uma derrota é ruim. Quando perco surfando e competindo bem, saio da água feliz e consciente que minha adversária foi a melhor. Toda vez que sofro uma derrota, procuro analisar onde foi o erro e tento não repetir na competição seguinte. Estamos aqui em constante aprendizado. Costumo dizer que aprendemos na derrota. O atleta que acha que não aprende na derrota, vai perder muito ainda para ser tornar um campeão, isso se for, algum dia.“  Deixar a realização de um sonho escapar num instante, escorrer, dói. Custa caro. Foi assim em 99, quando Neymara estava liderando o mundial e, numa etapa na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, foi vencida por uma japonesa tecnicamente inferior. Foi o tropeço que valeu o tão cobiçado título. “Fiquei muito nervosa, não conseguia fazer nada e perdi a liderança do tour e no final do ano, perdi também o circuito.

Depois de ser batida inúmeras vezes, o vento mudou de direção e Neymara aproveitou o swell. Botou pra baixo. Atuando em alta performance, vieram as vitórias, as glórias de um campeão. Embarcando na viagem do tempo com a mente mergulhada, a irmã de Marney volta a superfície com uma conquista que marcou, depois de tantas tentativas frustradas. “Fiquei muito feliz com a minha vitória em Pipeline, no Hawaii, por ter sido a minha primeira em mundial. Essa vitória me deu projeção internacional. Com certeza tive muito mais valor aqui e lá fora depois de vencer Pipe. Mas todas as vitórias são marcantes pra mim, é um momento de consagração, é quando o atleta sente na pele a realidade de ter sido bem sucedido. Tenho vivas na memória todas as vitórias que me deram os títulos do circuito mundial, sempre revivo essas conquistas para minha própria motivação.

Competir em Pipeline, aliás, tem um sabor especial. “É uma das ondas mais perigosas e temidas do mundo. É um prazer enorme poder competir lá, porque normalmente durante o free surf não dá pra pegar onda direito… é muita gente junta dentro da água, e só grandes nomes, surfistas e bodyboarders experientes que não dão mole pra garotas. Então a melhor maneira de surfar Pipe é competindo, e conseguir ir para final em um evento por lá, é a glória, porque você surfa o dia todo somente com mais três meninas, é muito bom!

Foi justamente no Hawaii de todos os sonhos onde Neymara levantou o troféu de campeã mundial de bodyboarding pela primeira vez, em 2003. Feito que voltaria a se repetir em 2004, 2007 e 2008, elevando Neymara ao patamar de atleta a ser batida neste início de século. Hoje, a quantidade de taças e medalhas conquistadas é tão grande, que foi preciso construir um cômodo só para guardar as vitórias. Nas estantes espalhadas pelas paredes estão os títulos de tetra-campeã mundial, octa-campeã brasileira, campeã mundial do ISA Games, bi-campeã latino e pan americana, penta-campeã capixaba e carioca. Nada mal. Mas um feito incrível a ser considerado, é que em 2004 e 2007 Neymara simplesmente venceu tudo que disputou pelo planeta, com inacreditáveis 100% de aproveitamento.

Em um momento feliz na vida nem sempre estamos 100%. Mas acredito que nesses anos eu estava feliz em todas as partes, sendo bem patrocinada, treinando muito, focada nos objetivos… acho que foi isso“, analisa modestamente.

São muitos os fatores que levaram Neymara a chegar onde está hoje, no auge. Vontade, destino, paciência, pertinácia. Mas certamente o elemento fundamental na construção de um vencedor, é o adversário. E Neymara teve muitos, dentro e fora d’água. Da rivalidade incondicional na disputa entre melhores, surge a superação, nascem os mitos. Como se um fosse cria, fruto, do outro. “Tive grandes adversárias no começo da minha carreira, que eram também meus grandes ídolos, por isso eu acho que era tão difícil vencê-las. Nomes como Mariana Nogueira, Sthefanie Pettersen e Daniela Freitas me fizeram ser o que sou hoje. Sempre busquei o melhor de cada uma delas, assim como também nas meninas da minha geração, como minha grande amiga Karla Costa, além de Soraia Rocha, Cláudia Santos e tantas outras. Mas acho que uma das mais difíceis de todos os tempos era mesmo a Mariana Nogueira.” Mariana, aliás, também campeã mundial, já deu inúmeras declarações públicas dizendo que Neymara é a melhor do mundo. “As vezes eu até não acredito, porque a tenho como a melhor ainda, com o estilo mais bonito de todas. Acho que se ela estivesse no tour ainda, íamos ter uma grande batalha.

Ao longo de 18 anos de carreira
, Neymara se desdobrou. Virou muitas. Hoje, além de atleta campeã, também é empresária, mãe da pequena Luna, dona de casa, ídolo, militante social e esposa. Abaixo, nas 20 perguntas da entrevista que segue, Neymara discorre abertamente sobre a vida familiar, os negócios, planos futuros, desfiles em carro de bombeiro, dinheiro, fama, gravidez, viagens pelo mundo, projetos sociais, meio ambiente e free surf. Tudo com a simplicidade que lhe é peculiar. Com a pureza e verdade dos grandes campeões. Como se não sentisse o vento bater e a chuva fina cair, Ney faz uma pausa no tempo e, com olhar fixo no horizonte de um mar sem onda, revela um pouco de quem é, repassando em detalhes a história que construiu com remadas fortes. Põe pra baixo!

20 PERGUNTAS PARA NEYMARA

OM. 01 – Campeões mundiais assinam ótimos contratos, estrelam campanhas publicitárias e ganham muito dinheiro. Mas o surfe vem da alma, da paixão. Você acredita que a ambição pode superar o amor pelo esporte?

Neymara – Não vivo essa realidade de esporte milionário, venho de uma família  simples, nunca tive mega ambições, queria no começo ser campeã em Pipeline, depois campeã do mundo, e até hoje busco motivações para continuar e ir fazendo o meu pé de meia com as oportunidades que vão surgindo, como uma propaganda aqui, um licenciamento ali, mas nada grandioso como nos esportes mais difundidos. Acho que uma vez acabando a paixão pelo o que se faz na vida, nenhum dinheiro, status, vale a pena. A paixão tem que ser maior para te trazer alegria.

OM. 02 – Você ganha um bom dinheiro hoje com o surfe?

Neymara – Ganho o suficiente para custear as minhas viagens. O meu lucro vem das premiações.

OM. 03 – E o incentivo da iniciativa privada e pública? É verdade que até carro você teve que vender para competir?

Neymara – Por vários anos tive patrocínios de prefeituras e também ajuda com passagens do governo, mas é claro que dependia muito da liderança no momento, tanto minha, como de quem estava no poder. Tive sim um ano sem patrocínios e tive que vender o meu carro. Eu acreditava que seria campeã mundial daquele ano… não fui. Mas no mesmo ano consegui um patrocinador japonês que me bancou o circuito no ano seguinte. Valeu muito a pena ter acreditado e apostado em mim mesma, não vejo muito isso na nova geração.

OM. 04 – Dizem que você é ótima marketeira e tem tino empresarial no sangue. Como você gerencia seu nome?

Neymara – Acho que a mídia tem um papel fundamental nessa história. Tive títulos que foram muito bem divulgados e valorizados como realmente deveriam, isso fez com que a minha imagem crescesse ao longo dos anos. Tenho uma equipe hoje que trabalha à procura de licenciamentos e novas oportunidades. Hoje tenho uma gestora de carreira como um bom atleta deva ter. Não me acho marketeira porque não faço coisas só para aparecer, eu divulgo e valorizo as minha vitórias.

OM. 05 – Você tem uma grife também né? A NC. Como surgiu a idéia?

Neymara – Surgiu da necessidade de implementar algo pensando no futuro, já que a fase de competições não dura pra sempre. Muitas pessoas me pediam adesivos, camisetas… daí resolvi fazer a minha própria marca.

OM. 06 – Como é a sua relação com a fama?

Neymara – Muito simples, as pessoas que me reconhecem sempre são super simpáticas e eu procuro atendê-las com muito carinho. Vejo como recompensa de um trabalho bem feito, daí fico feliz.

OM. 07 – O que significa ser um ídolo? Desfilar em carro de bombeiro… representar um povo?

Neymara – De certa forma é uma responsabilidade, mas sinto orgulho do que faço e do que conquistei até hoje na carreira, muito orgulho mesmo! Sou o que sou e nada vai mudar, acho que as pessoas gostam também da simplicidade que é a minha vida, só isso.

OM. 08 – Porque você nunca se mudou da Barra do Jucu?

Neymara – A Barra é a minha cara, é a minha raiz. Sou tranqüila, gosto dali. Já visitei lugares maravilhosos, mas gosto muito de viver próximo da minha família.

OM. 09 – Quais os países que você já visitou?

Neymara – Estados Unidos (Hawaii, Califórnia, Texas, Miami), México, Guadalupe, Venezuela, Argentina, Equador, Chile (Iquique, Ilha de Páscoa), Tahiti, Austrália, Indonésia, Japão, Portugal, França (Ilhas Reunião, Paris), Espanha… acho que não esqueci de nenhum…. no Brasil pude visitar quase toda a costa, do Ceará à Santa Catarina.

OM. 10 – Você se casou com um surfista. Como rolou a história de vocês?

Neymara – Nos conhecemos no Hawaii nas temporadas que passávamos para competir. Saímos algumas vezes e depois de alguns anos começamos a namorar de verdade, estamos há quase 8 anos juntos.

OM. 11 – O que mudou, na sua vida pessoal e profissional, quando você soube que estava grávida?

Neymara – Como não foi uma gravidez planejada, fiquei muito preocupada, mas ao mesmo tempo muito feliz por ser Mãe. Sempre tive vontade de ser mãe, adoro crianças! Foi um mix de emoções… fiquei preocupada porque eu estava liderando o mundial depois de ter sido bi-campeã. E como eu iria dizer aos meus patrocinadores que não poderia cumprir com o contratos? Graças a Deus foi tudo muito bem resolvido, pude contar com meus patrocinadores durante a gravidez e voltei a competir no ano que minha filha nasceu.

OM. 12 – Mas mesmo durante a gestação, você continuou a competir. Como foi isso?

Neymara – Fui muito bem acompanhada por uma médica que me dava total confiança em continuar a competir enquanto a barriga não atrapalhasse. Segui os passos e orientações e fui muito feliz com minha filha na barriga competir em vários eventos. Muitas pessoas achavam estranho, até por não existir muitas atletas que continuam na ativa grávidas, mas me sentia bem e acho que foi muito bom para minha gestação de um modo geral.

OM. 13 – E a fase mãe? Como é a Neymara dentro de casa?

Neymara – Amo ser mãe, sou super carinhosa, atenciosa e adoro ver a minha filha crescendo e se desenvolvendo, amo ensinar e brincar com ela também. Acordo cedo, faço o café da manhã, levo a minha filha na escolinha e depois vou surfar com o meu marido. A tarde vou para a academia e janto em casa com eles, tudo muito simples e tranqüilo.

OM. 14 – As viagens são constantes… como é ficar longe da filha pequena?

Neymara – É o momento mais difícil, mas tenho superado bem e ela tá crescendo sabendo que a mamãe está trabalhando por um futuro melhor. Ela entende.



OM. 15 – Até por ser mãe, você tem uma relação muito forte com as crianças. Chegou até a criar o Instituto Neymara Carvalho. Qual o objetivo do projeto?

Neymara – Como eu disse, sempre gostei muito de criança, o Instituto Neymara Carvalho veio antes da minha gravidez. O objetivo principal é a estruturação da Escolinha Gordinho de Bodybaording, que já existe na Barra do Jucu há mais de 10 anos, lidando com crianças carentes da Grande Terra Vermelha e adjacências (área periférica de Vila Velha), é um projeto que depende totalmente de voluntários que ensinam as primeiras lições do esporte para quem não tem muita esperança. O Gordinho (figura lendária da Barra do Jucu) faz um trabalho excepcional com essas crianças, muitos já foram campeões em diversas categorias. Dentro do INC procuramos fazer anualmente uns Aulões coletivos em praias diferenciadas para criar uma interação dessas crianças do projeto com outras de outras realidades. Também participam algumas entidades convidadas, que muito me orgulham. Nem sempre consigo patrocínios para realizar, mas vamos tentando, sempre.

OM. 16 – E o projeto Além Mar, o que é?

Neymara – É o projeto que desejo implementar lá na Barra do Jucu para atender um número maior de crianças, além de poder oferecer um café da manhã, apoio psicológico, aulas de várias atividades como artesanato e inglês. Quero transformar algumas dessas crianças em campeões, não só no esporte, mas na vida como um todo, prepará-las para o mundo com oportunidades.

OM. 17 – Como está o bodyboarding hoje no ES, no Brasil e no mundo?

Neymara – No Espírito Santo temos bons campeonatos e isso revela bons atletas. No Brasil estamos começando a sediar algumas importantes etapas do circuito mundial e isso mostra que o nosso país pode participar do circuito com qualidade. No mundo a cada ano o circuito melhora e acho que estamos no caminho de tornar o esporte cada vez maior.

OM. 18 – Você cresceu num ponto de natureza exuberante. Com o mar encontrando o rio. Como você vê o debate ambiental hoje pelo mundo?

Neymara – Os mares e rios hoje estão poluídos… e na Barra do Jucu não é diferente. Sinto muita falta do Rio Jucu no meu tempo de criança, quando aprendi a nadar nele. Sinto falta por não poder passar isso para minha filha, queria muito que ela pudesse nadar ali, mas infelizmente muita coisa tem que ser feita, a começar pelos governantes, porque muitas famílias jogam seus esgotos no rio por falta de saneamento adequado.

OM. 19 – Quais os planos para o futuro?

Neymara – Quero conquistar mais um título mundial e aí sim poder me dedicar com mais afinco ao meu Instituto e a minha escolinha de Bodybaording, que pretendo montar primeiramente aqui no ES. Também estou focando nas filmagens do documentário que retrata a minha carreira.

OM. 20 – Quando pretende voltar a surfar sem a pressão de um resultado?

Neymara – Pretendo competir por mais uns três anos no máximo. Quero mostrar um novo caminho aos meus patrocinadores, que o retorno da minha imagem vale tanto quanto uma vitória em campeonatos, e aí sim poder competir sem a pressão por resultados e desenvolver outros trabalhos com eles, como o Free Surf e sessão de aulas em vários estados do Brasil e no mundo. Acho que a minha imagem é muito mais valorizada fora do que no Brasil, quero mudar essa visão.

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4 responses

19 03 2009
Cassiane Mugnaga

A-D-O-R-E-I essa matéria!!!
Parabéns!
Abraço!

29 04 2009
Ingrid carriço

Olha, parabéns pela matéria viu .. ficou muito boa!
Quando se começa a ler da vontade de não parar maiss..
uma linda história de vida, um exemplo pra todos, não só pra galera do surfe, mas pra todos os seres humanos messssmo, pra aqueles que tem um sonho, e sede realizá-lo ..
Pessoa simples, humilde, e batalhadora, merece tudo de bom na vida mesmo!
PARABÉNS.. beijos de uma fã orgulhosa por esse seu trabalho lindoo!
Good Vibess.. !

17 06 2009
neymaracarvalhoofilme

Oi Ingrid!
Fico lisongeada com suas palavras,obrigada!!!
um super beijo,
neymara

22 11 2009
Thaís

Adorei a matéria, muito contagiante! Parabéns!!!
Além, é claro, da experiência de vida e força desta super campeã.
Neymara é uma atleta completa, exemplo dentro e fora do esporte, fico muito feliz e orgulhosa por ser uma super campeã de um esporte que pratico e acompanho.

Desejo sempre tudo de ótimo na sua vida! Que Deus sempre ilumine e proteja seus passos! Estarei sempre torcendo por vc!!! Felicidades e sucessos mil!!!
Thaís Lanzoni

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